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Fique de olho
Publicado em 8/6/2010

Conselho divulga manifesto contra a revista Veja
Reportagem da revista Veja traz informações distorcidas sobre os povos indígenas e os antropólogos, provocando protestos da comunidade científica. O CRP SP, também se manifestou.

O Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, por meio do Grupo de Trabalho Psicologia e Povos Indígenas, manifesta veemente repúdio à revista Veja, que, na edição 2.163, de 5 de maio de 2010, veiculou distorções ofensivas aos povos indígenas e aos antropólogos, sem considerar princípios da ética jornalística e de respeito à sociedade. Ao mesmo tempo, manifesta integral solidariedade aos antropólogos citados na matéria e à categoria profissional como um todo.

A reportagem "A farra da Antropologia oportunista", assinada pelos repórteres Leonardo Coutinho, Igor Paulin e Júlia de Medeiros, chocou-nos pelo fato de ali constatarmos uma série de impropriedades, apontadas pelos antropólogos em nota assinada pela Associação Brasileira de Antropologia (ABA), e veiculada no Jornal da Ciência da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) Vivemos num Estado democrático, onde a liberdade de expressão é um valor a ser permanentemente defendido; todavia, o princípio da liberdade necessariamente implica em princípios complementares, que são as responsabilidades e a ética.

Infelizmente, esses princípios nem sempre são observados, fazendo-se necessário que as instituições e pessoas responsáveis por tais violações, nem sempre conscientes, revejam seus posicionamentos e assumam o erro. Trata-se de uma postura fundamental que em nada fere a respeitabilidade da imprensa, ao contrário, contribui para a sua confiabilidade e para o fortalecimento da sociedade democrática.

Nos últimos anos o Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, por meio do Grupo de Trabalho Psicologia e Povos Indígenas, tem se aproximado da questão indígena brasileira e constatado as dificuldades que os profissionais de todas as áreas, sobretudo os antropólogos, encontram ao lidar com uma questão que traz em sua raiz um dos maiores equívocos da história do homem, quando uma cultura espoliou um continente em busca de riquezas. Somos testemunhas do empenho de pesquisadores e de organizações, em sua grande maioria sérios, envolvidos com a questão indígena e com a dura luta desses povos pela sobrevivência e reconhecimento de seus direitos.

A referida reportagem ofendeu não só os antropólogos e pesquisadores, mas todos aqueles que, como nós, reconhecem as profundas injustiças e violações sofridas historicamente pelos povos indígenas em nosso país.

Grupo de Trabalho Psicologia e Povos Indígenas
Conselho Regional de Psicologia de São Paulo