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Fique de olho
Publicado em 25/6/2013 15:27:46

DIREITOS HUMANOS

Em audiência, CRP SP entrega relatos de psicólogos (as) à Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva

Em uma audiência pública marcada por muita emoção, o CRP SP entregou à Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva, em 21 de junho, um conjunto de 27 relatos de psicólogos (as), que, de alguma forma, foram vítimas de violência durante a ditadura civil militar (1964-1985) no país.

A coordenadora da Comissão de Direitos Humanos do CRP SP, Maria Orlene Daré, informou que 27 psicólogos (as) paulistas contaram como a ditadura militar os (as) atingiu. Os relatos fazem do projeto Psicologia e Direito à Memória e à Verdade, trabalho que começou a ser desenvolvido pelo Conselho em setembro de 2012. Maria Orlene disse que a intenção é contribuir com o momento político atual e com as comissões Nacional e Estadual da Verdade, buscando dados e informações que possam ajudar a esclarecer todas as violações ocorridas naquele período.

À Comissão da Verdade, o Conselho entregou uma pasta contendo os 27 relatos por escrito e CDs com vídeos, documentos e atividades e oficinas que foram desenvolvidas durante o trabalho.


O dossiê foi entregue com 27 relatos de psicólogos

Segundo Maria de Fátima Nassif, presidenta do CRP SP, os relatos reúnem histórias de pessoas que sofreram diretamente com a ditadura militar ou que a viveram por serem irmãos, filhos ou parentes de presos (as) e torturados (as) no período e também de profissionais que trabalharam com vítimas do regime. "O dossiê é muito variado, assim como o nível de implicação. Mas todos os relatos demonstram, de forma bastante forte, a amplitude deste mal."

Na audiência de hoje, realizada na Assembleia Legislativa, psicólogos (as) relataram, de forma breve, as marcas que carregam da ditadura militar. Dois dos testemunhos foram dados por Carolina Helena Sombini, Conselheira do CRP SP e Maria Auxiliadora Cunha Arantes, conhecida como Dodora.

Carolina contou que, aos cinco anos, foi morar com a avó, porque sua mãe era militante política. "Quando ela ia me buscar na casa da minha avó, dizia que eu nunca poderia dizer onde ela estava morando. Eu tinha um medo enorme de conseguir guardar o caminho. Ao mesmo tempo, olhava ansiosamente porque queria saber onde ela estava. É uma sensação horrível", relatou emocionada. A mãe de Carolina e o companheiro foram presos e torturados pela ditadura militar. "Não poder propagar ideias e ter que silenciar as palavras é algo terrível. A ditadura roubou e me tirou o direito à convivência familiar."

A psicóloga Ana Pervin, que acompanhava a audiência e que também integra o dossiê, afirmou que, apesar de não ter sofrido violência física, o silêncio e opressão a que foi submetida a fizeram se sentir por muitos anos uma cidadã de quinta categoria. "Quero destacar aqui a consideração e o respeito com que fui tratada durante todo o processo. Me sinto plena neste espaço como cidadã e mulher", destacou.

Em outro relato, Maria Auxiliadora de Almeida Cunha Arantes, conhecida como Dodora, contou que foi presa em 1968, quando estava com os dois filhos, que tinham, então, 2 e 3 anos de idade. Quando foi solta, precisou viver na clandestinidade. Tanto ela, quanto seus filhos, precisaram usar outros nomes e mudar constantemente de casa para fugir dos militares.

O relato de Dodora causou muita emoção em todas as pessoas presentes na plenária

"Para mim é muito emocionante relembrar tudo isso. Agradeço ao CRP SP, que pode me proporcionar este momento e por ter se alinhado com pessoas que se empenham em contar a verdade dos fatos deste país. Este processo, que começou há menos de dois anos só intensifica a democracia", afirmou Dodora.

O projeto está sendo desenvolvido em todo o país e todos os relatos serão então reunidos em uma publicação com previsão de lançamento para setembro.

Já a Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva segue com seus trabalhos. Os relatos são transmitidos pelo site e também publicados em seu canal no You Tube.
Acesse mais informações: http://www.al.sp.gov.br/comunidade/comissao-da-verdade-do-estado-de-sao-paulo-rubens-paiva