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Fique de olho
Publicado em 22/9/2012 19:52:13

2ª MOSTRA NACIONAL

Consequências do racismo para a população negra é tema de conferência

O impacto do preconceito racial para a saúde mental da população negra foi o tema que norteou a conferência de Janaína Oliveira, conhecida como Re.Fem, que significa Revolta Feminina. Cineasta, Publicitária, produtora e ativista dos movimentos de mulheres e de juventude, Janaina recebeu das mãos do presidente do CFP, Humberto Verona, o prêmio Paulo Freire. "A Psicologia brasileira tem um grande respeito pelo seu trabalho e por sua pessoa que desenvolve um trabalho de extrema importância para o Brasil. Obrigada pelo que você faz pela nossa gente", destacou Humberto.

"É uma honra receber esta premiação e também uma grande responsabilidade. Muitas vezes, fico com vontade de desistir diante tantas dificuldades. Mas estar aqui, ver tudo o que está acontecendo e receber este prêmio, me motiva a seguir lutando", afirmou Re.Fem., antes de iniciar sua palestra no auditório Celso Furtado.

Para tratar do tema, ela voltou no tempo, lembrando as cruéis condições em que os negros africanos eram trazidos, de diversas regiões da África, para o trabalho escravo no Brasil: amontoados em uma situação subhumana nos navios negreiros. "Imagina você ser tirado de sua terra, de sua família, ser jogado num navio, chegar em uma terra desconhecida, ser obrigada a adotar uma religião e cultura que não é a sua, e ainda ser tratado como coisa, como mercadoria. Agora pensem no impacto disso no psicológico desta pessoa, de seus filhos, de seus netos, de seus bisnetos. Enfim, este é um impacto que atravessa gerações".

A ativista falou também sobre o impacto do racismo na psiquê das crianças negras que, ao não se reconhecerem na mídia, se sentem inferiorizadas e podem crescer acreditando que as dificuldades e negações produzidas pelo preconceito são fruto de uma incapacidade pessoal, o que traz, além do adoecimento psíquico, o físico também. Outro ponto importante tratado foi o que se refere ao tratamento inferior que as mulheres negras recebem no sistema de saúde pública, principalmente no atendimento ginecológico e de obstetrícia. O genocídio da juventude negra (principalmente homens), o tratamento truculento que usuários de drogas afrodescendentes recebem e os constantes casos de preconceito na escola e no trabalho também foram abordados por Re.Fem.

Diante este quadro, ela questionou: "Como manter a sanidade mental diante tudo isso?". Re.Fem complementa: "estar aqui , nesta Mostra, é uma forma de chamar a atenção para o que está acontecendo. Os psicólogos têm uma responsabilidade grande conosco. Quero sensibiliza-los para nossa causa. Por isso, eu faço um apelo: nos ajude a manter nossa sanidade. Vocês são fundamentais para o desenvolvimento saudável de nosso país".