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Fique de olho
Publicado em 13/7/2012 13:30:19

MEDICALIZAÇÃO

CFP lança Campanha em Audiência Pública realizada em Brasília

O Conselho Federal de Psicologia e o Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade lançaram, nesta quarta, dia 11 de julho, a Campanha Não à Medicalização da Vida. O lançamento aconteceu durante Audiência Pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, em Brasília. Em discussão: o vertiginoso crescimento do uso excessivo de remédios por crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizado ou de comportamento na escola.

"Existe uma métrica social que considera sentimentos e comportamentos legítimos como sintomas patológicos. Muitas vezes, esses casos são tratados com os chamados tarja preta, que têm sérias sequelas", explicou Marilene Proença, Conselheira do CFP. A Conselheira afirmou também que há muito alarde em relação a drogas ilícitas, mas pouco em relação às licitas. Para se ter uma ideia, em 2000, eram consumidas 70 mil caixas de medicamentos para o tratamento de distúrbios relacionados à aprendizagem, como o TDHA. Em 2010, o número cresceu para dois milhões, o que faz do Brasil o segundo maior consumidor desse tipo de remédio, atrás apenas dos Estados Unidos. "Em vez de melhorarem a qualidade da escola, estão criando instâncias de diagnóstico para crianças que têm dificuldade de aprendizado. Não podemos passar às crianças responsabilidades políticas, sociais e culturais da sociedade em geral".


Segundo a professora do departamento de pediatria da Unicamp, Maria Aparecida Moisés, substâncias que vêm sendo usadas como "amplificadores cognitivos" não são seguras. Para ela, em vez de se discutir a vida e os valores da sociedade, há uma inversão que faz com que todos acreditem que têm transtornos a serem tratados. "Precisamos adotar uma política educacional que assuma o princípio fundamental de que todos podem e têm o direito de aprender. Um professor é capaz de ensinar toda pessoa a quem se propuser. A medicina fala de impossibilidades. A escola fala de possibilidades".

Para o consultor da Saúde da Criança e do Adolescente do Ministério da Saúde, Ricardo César Carafa, o primeiro passo a ser dado para combater a medicalização é reconhecer que o problema existe e conhecê-lo a fundo. "Devemos divulgar a medicalização para a sociedade, debater e discutir. Não podemos simplesmente tapar o sol com a peneira, fingir que não existe e que não nos afeta. É necessário trabalhar amplamente com os profissionais de saúde e educação que atendem às crianças para que se adquira o conhecimento necessário", disse.

O CRP SP também esteve presente na Audiência, representado pela Presidenta Carla Biancha Angelucci e pela Conselheira Gabriela Gramkow. "Temos um projeto político que pretende promover a saúde pública e a educação. A política da medicalização significa um retrocesso disso, pois representa a promoção da doença e não da saúde. A perspectiva da medicalização também promove a hierarquização dos ritmos de ensino e aprendizagem", colocou Carla Biancha Angelucci.

Após a discussão na audiência pública, a Campanha pretende agora mobilizar toda a sociedade com a divulgação de vídeos, cartazes e folhetos contra a medicalização indiscriminada. O objetivo é conscientizar a população sobre este grave problema. O site da Câmara dos Deputados disponibiliza a íntegra do áudio e do vídeo da Audiência Pública. Para conferir, acesse: http://www2.camara.gov.br/atividade-legislativa/webcamara/arquivos/recentes/videoArquivo?codSessao=00021590