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Emergências e Desastres

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Oficinas reforçam a defesa civil como um direito

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) coordenou a realização de uma série de oficinas sobre Psicologia em situações de emergências e desastres nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. O objetivo foi fortalecer o processo de implantação de políticas públicas no campo da defesa civil que incorporem os aspectos de prevenção e de reconstrução da vida das pessoas atingidas, além de preparação para as intervenções nos momentos de calamidade.

O conjunto de oficinas foi a expansão de experiências como a realizada em 2010, quando as chuvas atingiram severamente Pernambuco e Alagoas. Na ocasião, o CFP, o CRP PE e o poder público local reuniram psicólogos em Pernambuco para uma articulação entre diversos setores envolvidos com o atendimento das pessoas atingidas. As situações de calamidade que se sucederam no país, desde então, levaram o CFP a ampliar a iniciativa realizada em Pernambuco. Paralelamente, o tema das emergências e desastres foi transformado em uma das ações unificadas para todo o Sistema Conselhos neste ano de 2011.

Em São Paulo, o CRP SP criou um Grupo de Trabalho sobre emergências e desastres (GTED) cuja primeira tarefa foi a organização dessas oficinas no estado. De acordo com o conselheiro e coordenador do GTED, Joari Aparecido Soares de Carvalho, foram realizadas cinco oficinas, entre os dias 18 e 22 de março, nas cidades de Campinas, Taubaté, Santos, Guarulhos e São Paulo, que reuniram mais de 200 psicólogos, além de outros profissionais.

"A proposta das oficinas foi reunir psicólogos e outros profissionais de instituições diversas - como defesa civil, saúde, assistência social, educação, habitação, segurança, meio ambiente e de organizações não governamentais -, para trocar experiências e aprimorar as propostas de trabalho, explica Joari. "A partir delas, queremos levantar demandas e construir coletivamente referências para orientar a atuação, considerando o sistema público de serviços."

As cidades onde as oficinas ocorreram foram definidas porque estão nas regiões paulistas onde mais pessoas foram atingidas pelas consequências das recentes chuvas. Segundo Joari, a proteção da defesa civil no estado é ainda muito incipiente. "Temos 645 municípios, cada um com uma realidade diferente. Quem responde por uma situação de emergência se ela ocorrer? Em alguns municípios há uma defesa civil, em outros essa tarefa está atribuída a uma secretaria diferente ou ao gabinete do prefeito. Mas não há uma estrutura claramente delineada, articulada nem mesmo no governo estadual."

Nesse sentido, a realização das oficinas teve o papel de estimular as instâncias governamentais, os profissionais e a comunidade em geral a atuar com mais ênfase nesses processos de proteção articulados pela defesa civil. "Precisamos reunir aliados interessados na questão das emergências e desastres, para que ajudem a instaurar uma política nessa área", diz Joari.

Para dar uma ideia da importância de uma rede articulada de proteção civil, Joari observa que na região serrana do Rio de Janeiro já havia um trabalho desse tipo, inclusive com a colaboração dos psicólogos e da Subsede do CRP RJ. "Ninguém contava com uma tragédia na proporção em que ela aconteceu, mas essa organização foi essencial para que se tivesse, por exemplo, abrigos tão grandes e complexos funcionando em um ou dois dias, um tempo de resposta muito curto", diz.

Em um prazo mais amplo, o GTED pretende se consolidar como um aglutinador dos debates em torno do tema da Psicologia nas situações de emergências e desastres. Ao longo do ano, ele contribuirá para o CRP SP promover outros debates sobre o tema, como o debate "Saúde mental, política pública e situações de calamidade: estamos preparadas/os?", na Semana da Luta Antimanicomial, em maio, e um seminário estadual intersetorial na Semana Nacional de Redução de Riscos, em outubro. Uma das preocupações é pensar, juntamente com especialistas acadêmicos e dos serviços de diversas áreas e com a comunidade em geral, as ações de prevenção que podem ser tomadas. "Essa não é uma agenda somente do Sistema Conselhos", diz Joari. "É uma agenda urgente da sociedade na qual os conselhos estão se inserindo."



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