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teste psicológicos
o que você precisa saber antes de escolher um

A Avaliação Psicológica é um processo técnico e científico realizado com pessoas ou grupos de pessoas que, de acordo com cada área do conhecimento, requer metodologias específicas. Ela é dinâmica e constitui-se em fonte de informações de caráter explicativo sobre os fenômenos psicológicos, com a finalidade de subsidiar os trabalhos nos diferentes campos de atuação do psicólogo, que ela se fizer necessária. Trata-se de um estudo que requer um planejamento prévio e cuidadoso, de acordo com a demanda e os fins aos quais a avaliação se destina.

Para a conselheira Maria Cristina B.M.Pellini, trata-se de um processo amplo que envolve a integração de informações provenientes de diversas fontes, dentre elas, testes, entrevistas, observações, análise de documentos. Diferente da testagem psicológica considerada uma etapa da Avaliação Psicológica, que implica na utilização de teste(s) psicológico(s) de diferentes tipos.

"No Brasil, o uso de testes psicológicos constitui função privativa do psicólogo, conforme dispõe o Art. 13 da lei 4.119/62. Não se trata de um mero questionário, pautado no "senso comum", mas sim de um processo técnico-científico de coleta de dados, estudos e interpretação de informações a respeito dos fenômenos psicológicos, como já mencionado acima. Testes psicológicos são procedimentos sistemáticos de observação e registro de amostras de comportamentos e respostas de indivíduos com o objetivo de descrever e/ou mensurar características e processos psicológicos, compreendidos tradicionalmente nas áreas emoção, afeto, cognição, inteligência, motivação, personalidade, psicomotricidade, atenção, memória, percepção, dentre outras, nas suas mais diversas formas de expressão, segundo padrões definidos pela construção dos instrumentos", afirma a conselheira.

A Resolução CFP n.º 002/2003, que define e regulamenta o uso, a elaboração e a comercialização de testes psicológicos, em seu artigo 11, orienta que "as condições de uso dos instrumentos devem ser consideradas apenas para os contextos e propósitos para os quais os estudos empíricos indicaram resultados favoráveis". Este artigo destaca que a simples aprovação no Sistema de Avaliação de Teste Psicológicos - Satepsi, não significa que o teste passa a ser usado em qualquer contexto, ou para qualquer propósito. A recomendação para um uso específico deve ser buscada nos estudos que foram feitos com o instrumento, principalmente nos estudos de validade e nos de precisão e de padronização. Assim, os requisitos básicos para uma determinada utilização são os resultados favoráveis de estudos orientados para os problemas específicos relacionados às exigências de cada área e propósito.

No formulário de avaliação dos testes psicológicos, apresentado na Resolução CFP n.º 002/2003 foram descritos cinco propósitos mais comuns: classificação diagnóstica, descrição, predição, planejamento de intervenções e acompanhamento. Também são definidos vários contextos de aplicação: Psicologia Clínica, Psicologia da Saúde e/ou Hospitalar, Psicologia Escolar e Educacional, Neuropsicologia, Psicologia Forense, Psicologia do Trabalho e das Organizações, Psicologia do Esporte, Social/Comunitária, Psicologia do Trânsito, Orientação e/ou Aconselhamento Vocacional e/ou Profissional e outras.

É responsabilidade do psicólogo a avaliação e a escolha dos instrumentos, métodos e técnicas no exercício profissional.

Um dos principais cuidados que o psicólogo deve ter na escolha de um teste psicológico é que este consulte o Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (Satepsi), disponível no site do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (www.crpsp.org.br), com o intuito de verificar se o mesmo consta na listagem e se obteve o parecer favorável para uso em Avaliação Psicológica.

Caso o teste não conste na listagem há a possibilidade do mesmo não ter sido encaminhado para análise do Conselho Federal de Psicologia o que o coloca na mesma condição dos testes desfavoráveis, ou seja, de que seu uso no exercício profissional implicará em falta ética, ou não ser teste psicológico, o que o dispensaria desta análise.

Caso conste na listagem e esteja com parecer favorável ele deverá então consultar o manual do referido teste, de modo a obter informações adicionais acerca do constructo psicológico que ele pretende medir bem como sobre os contextos e propósitos para os quais sua utilização mostra-se apropriada.

Deve também verificar se não existem dificuldades específicas da pessoa para realizar o teste, sejam elas físicas ou psíquicas; utilizar o teste dentro dos padrões referidos por seu manual e cuidar da adequação do ambiente, do espaço físico, do vestuário dos aplicadores e de outros estímulos que possam interferir na aplicação.

Nos casos em que na consulta a determinado instrumento este estiver com parecer desfavorável, o psicólogo não poderá utilizar este instrumento no exercício profissional, conforme mencionado anteriormente. Isto significa que estes instrumentos quando foram avaliados não apresentaram estudos de validade, de precisão e de padronização que atendessem aos critérios mínimos definidos na Resolução CFP n.° 002/2003. Os testes que receberam parecer desfavorável estarão sem condição de uso por psicólogos no exercício profissional, no entanto, continuam sendo considerados testes psicológicos, com permissão de uso somente em pesquisa, restrito a psicólogos. De acordo com os Artigos 10 e 16 da Resolução CFP n.º 002/2003 (transcritos abaixo), só será permitida a utilização dos testes psicológicos que obtiverem o parecer favorável pelo CFP e será considerada falta ética a utilização de instrumento que não esteja em condição de uso.

"Art. 10 - Será considerado teste psicológico em condições de uso, seja ele comercializado ou disponibilizado por outros meios, aquele que, após receber Parecer da Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica, for aprovado pelo CFP.

Parágrafo único - Para o disposto no caput deste artigo, o Conselho Federal de Psicologia considerará os parâmetros de construção e princípios reconhecidos pela comunidade científica, especialmente os desenvolvidos pela Psicometria.

Art. 16 - Será considerada falta ética, conforme disposto na alínea "c" do Art. 1º e na alínea "g" e "h" do Art. 2º do Código de Ética Profissional do Psicólogo(*), a utilização de testes psicológicos que não constam na relação de testes aprovados pelo CFP, salvo os casos de pesquisa.

Parágrafo Único - O psicólogo que utiliza testes psicológicos como instrumento de trabalho, além do disposto no caput deste artigo, deve observar as informações contidas nos respectivos manuais e buscar informações adicionais para maior qualificação no aspecto técnico operacional do uso do instrumento, sobre a fundamentação teórica referente ao constructo avaliado, sobre pesquisas recentes realizadas com o teste, além de conhecimentos de Psicometria e Estatística."
(Resolução CFP n.º 002/03)

O uso de tais instrumentos não favoráveis pode causar prejuízos aos usuários e resultar numa avaliação inadequada, como: avaliandos serem "não recomendados" para assumirem cargos/funções em processos seletivos para uma vaga em uma empresa ou concurso público (recursos humanos), pacientes para realização de cirurgia bariátrica passarem por processos avaliativos em que o recurso psicológico utilizado não afira as verdadeiras condições psíquicas desses pacientes, riscos de envolvimento em acidentes por candidatos que receberam carta de habilitação (CNH) sem terem a aptidão necessária, recomendação indevida de "apto" à candidatos ao registro e o porte de arma de fogo sem ter a condição necessária pode trazer riscos para o próprio candidato ou para as demais pessoas da sociedade. Quando realizadas as avaliações psicológicas nestes contextos, deve-se garantir que os instrumentos utilizados estejam de acordo com as normas para evitar prejuízo à população.

Este importante alerta deve-se à disseminação do uso dos testes psicológicos em processos seletivos e em várias outras circunstâncias de maneira irresponsável.

Outro problema que tem se avolumado é que muitos testes estrangeiros têm sido trazidos ao Brasil e colocados em uso inclusive por não-psicólogos. Isso traz um prejuízo ao usuário, que pensa que está adquirindo serviços profissionais, quando na verdade está sendo avaliado por pessoas sem formação nem qualificação requeridas para a realização da avaliação, com instrumentos que, ainda que tenham excelente reputação em seu país de origem, não foram adaptados à população brasileira, o que pode implicar em desvios de resultado significativos. Muitos instrumentos jamais passaram por estudos de validação, e mesmo que tais estudos tenham sido realizados em outros países, é imprescindível a adaptação à realidade brasileira.

Neste contexto a Resolução CFP n.º 002/2003 em seu artigo 7º, destaca que também os testes estrangeiros de qualquer natureza, devem ser traduzidos para o português, serem adequados a partir de estudos realizados com amostras brasileiras, considerando a relação de contingência entre as evidências de validade, precisão e dados normativos com o ambiente cultural onde foram realizados os estudos para sua elaboração.

Segundo Maria Cristina Pellini, é importante esclarecer que os testes psicológicos que não apresentam avaliação final na listagem do Satepsi é porque ainda estão em processo de análise. Nestes casos, também não possuem condição de uso até que possam integrar a lista de testes com parecer favorável.

A condição do teste que recebeu Parecer Desfavorável não é estática. A partir de novos estudos e da reapresentação dos testes, nova análise será realizada pelo CFP. Caso o resultado desta seja de condição favorável ao uso, ou seja, caso o teste passe a atender aos requisitos técnicos-científicos mínimos descritos na Resolução CFP n.º 002/2003, este passará a constar na lista dos testes favoráveis e a poder ser utilizado, somente nesta nova versão.

A página destinada ao Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos - Satepsi, possui informações diversas sobre os testes, dentre elas os Pareceres dos Testes Psicológicos indicando as condições que não foram atendidas e sugestões para sua melhoria.

Cabe fazer uma distinção entre a análise de testes feita pela Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica do CFP para a emissão de pareceres quanto a sua qualidade e a análise de instrumentos para identificar se são Testes Psicológicos. No primeiro caso, o instrumento que busca validação pelo CFP deve seguir critérios específicos para seu encaminhamento, devendo possuir um Responsável Técnico que cumpra as exigências dispostas na Resolução CFP n.° 002/2003, neste caso os requerentes devem ser os autores dos testes ou adquirintes dos direitos de uso dos mesmos. Já no caso da análise de instrumentos para identificar se são ou não testes psicológicos, qualquer pessoa ou instituição interessada poderá encaminhar o teste solicitando esta análise.

Ainda quanto a estes instrumentos, os mesmos muitas vezes não são considerados testes psicológicos, pois não contemplam os requisitos apresentados na Resolução CFP n.° 002/2003 como também na Lei 4119 de 1962. Nesta última legislação, em seu artigo 13, § 1º o que se constitui função privativa é a utilização de métodos e técnicas psicológicas. O que a lei define: MÉTODO é um conjunto sistemático de procedimentos orientados para fins de produção ou aplicação de conhecimentos, e TÉCNICA entende-se como toda atividade específica, coerente com os princípios gerais estabelecidos pelo método. Portanto, MÉTODOS PSICOLÓGICOS se definem como um conjunto sistemático de procedimentos aplicados à compreensão e intervenção em fenômenos psíquicos nas suas interfaces com os processos biológicos e socioculturais, especialmente aqueles relativos aos aspectos intra e interpessoais. (Resolução CFP n.° 003/2007 - dispõe sobre a Consolidação das Resoluções do Conselho Federal de Psicologia)

Os instrumentos que não são considerados testes psicológicos não apresentam pesquisas que comprovam que foram construídos com procedimentos sistemáticos de observação e registro de amostras de comportamentos e respostas de indivíduos com o objetivo de descrever e/ou mensurar características e processos psicológicos na realidade da qual vivemos.


Resoluções relacionadas

Consolidação das Resoluções do Conselho Federal de Psicologia instituída pela Resolução CFP n.° 003/2007 dispõe que:

Art. 2º - Os métodos e as técnicas psicológicas utilizados no exercício das funções privativas do Psicólogo a que se refere o § 1º do art. 13 da Lei Nº 4.119, de 27 de agosto de 1962, são entendidos da seguinte forma:

I - MÉTODO - conjunto sistemático de procedimentos orientados para fins de produção ou aplicação de conhecimentos;

II - TÉCNICA - entende-se como toda atividade específica, coerente com os princípios gerais estabelecidos pelo método;

III - MÉTODOS PSICOLÓGICOS - conjunto sistemático de procedimentos aplicados à compreensão e intervenção em fenômenos psíquicos nas suas interfaces com os processos biológicos e socioculturais, especialmente aqueles relativos aos aspectos intra e interpessoais;

IV - DIAGNÓSTICO PSICOLÓGICO - é o processo por meio do qual, por intermédio de Métodos e Técnicas Psicológicas, se analisa e se estuda o comportamento de pessoas, de grupos, de instituições e de comunidades, na sua estrutura e no seu funcionamento, identificando-se as variáveis nele envolvidas;

V - ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL - é o processo por meio do qual, por intermédio de Métodos e Técnicas Psicológicas, se investigam os interesses, aptidões e características de personalidade do consultante, visando proporcionar-lhe condições para a escolha de uma profissão;

VI - SELEÇÃO PROFISSIONAL - é o processo por meio do qual, por intermédio de Métodos e Técnicas Psicológicas, se objetiva diagnosticar e prognosticar as condições de ajustamento e desempenho da pessoa a um cargo ou atividade profissional, visando a alcançar eficácia organizacional e procurando atender às necessidades comunitárias e sociais;

VII - ORIENTAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA - é o processo por meio do qual, por intermédio de Métodos e Técnicas Psicológicas, proporcionam-se condições instrumentais e sociais que facilitem o desenvolvimento da pessoa, do grupo, da organização e da comunidade, bem como condições preventivas e de solução de dificuldades, de modo a atingir os objetivos escolares, educacionais, organizacionais e sociais;

VIII - SOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE AJUSTAMENTO - é o processo que propicia condições de auto-realização, de convivência e de desempenho para o indivíduo, o grupo, a instituição e a comunidade, mediante métodos psicológicos preventivos, psicoterápicos e de reabilitação.

(*) Artigos do Código de Ética Profissional do Psicólogo citados na Resolução CFP 002/2003, em seu artigo 16.

Art. 1º - São deveres fundamentais dos psicólogos:

c) Prestar serviços psicológicos de qualidade, em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços, utilizando princípios, conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional;

Artigo 2º - Ao psicólogo é vedado:

g) Emitir documentos sem fundamentação e qualidade técnico-científica;

h) Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos e técnicas psicológicas, adulterar seus resultados ou fazer declarações falsas.



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