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História da Psicologia no Brasil - Primeiros Ensaios.
Mitsuko Aparecida Makino Antunes, org. Rio de Janeiro:
UERJ, 2004, 227 p.p.

História da Psicologia no Brasil: primeiros ensaios

Oito artigos sobre a história da Psicologia no Brasil, escritos por eminentes pesquisadores, professores e psicólogos brasileiros, em diferentes épocas, e uma introdução que prepara o leitor, contextualizando os autores, para a viagem que vai realizar. É este o presente que a Editora da UERJ e o CFP nos trazem, pelas mãos da organizadora da obra, profa. dra. Mitsuko Aparecida Makino Antunes. O volume constitui-se em referência imprescindível ao estudo da evolução das idéias psicológicas e consolidação da Psicologia no país, por apresentar textos de grandes protagonistas da Psicologia brasileira, e ao final de cada um deles, vasta lista de referências bibliográficas que apresentam-se como fontes para novas pesquisas. Trata-se de um livro que se desdobra em vários, assim como a própria Psicologia relatada nele: processo e produto multifacetado em suas origens, abordagens e aplicações, porque como dizia o poeta, "tem a marca de homem, marca de humana oficina".

No primeiro capítulo, temos "A Psicologia Experimental no Brasil" (1944), escrito por Plínio Olinto, que traz a história da Psicologia brasileira desde o início do século XX até quase o ano da publicação do texto, desenhando um panorama que se repetirá ao longo do livro: o da decisiva relação entre Medicina, Educação e Psicologia para o estabelecimento desta última entre nós. Olinto, ao prever o futuro da Psicologia em nosso país, afirma que "é necessário acomodar a Psicologia brasileira dentro de algumas estantes e encomendar, desde logo, outras estantes" (p. 30).

A profecia de Plínio Olinto se confirma nos artigos que se seguem. Annita de Castilho e Marcondes Cabral nos oferece "A Psicologia no Brasil" (1950), esclarecendo que o texto é tradução do capítulo "Psychology in Brazil", escrito por ela a convite do prof. George Kisker, da Universidade de Cincinnati, para o livro World Psychology. Traz interessantes esclarecimentos acerca do país e apresenta a história da Psicologia brasileira desde o período em que os jesuítas tinham o monopólio da educação até a década de 1950, num exercício de compreensão contextualizada sobre as idéias psicológicas e a Psicologia científica no Brasil. A autora confirma a vinculação inicial entre Psicologia, Medicina e Educação e sugere a necessidade de investimento em estudos de Psicologia Social. A Psicologia Industrial é também apresentada por Cabral, informando as iniciativas do SENAI no campo da seleção profissional em São Paulo, e do ISOP do Rio de Janeiro, que finaliza apontando a necessidade de construção de currículos universitários flexíveis e adaptados para as disciplinas psicológicas e citando a fundação, em 1945, da Sociedade de Psicologia de São Paulo como o prenúncio da organização nacional dos "psicologistas" na busca pelo reconhecimento da Psicologia como ciência e profissão autônoma no Brasil.

Lourenço Filho comparece com "A Psicologia no Brasil" (1955) e "A Psicologia nos últimos 25 anos" (1969). Os artigos são preciosos documentos para os psicólogos brasileiros, sendo que o primeiro "fornece extensa contribuição histórica de inúmeros pensadores e/ou pesquisadores nacionais e estrangeiros" e "conclui com a evolução do ensino, órgãos de pesquisa, publicações e associações" (p. 17). Lourenço Filho afirma, já em 1955, que "não mais se mantêm os estudos na estrita dependência do resultado das pesquisas de outros países" (p. 103).

O segundo documento "apresenta uma visão do período, seguido de um relatório conciso dos principais fatos psicológicos desde 1945" e "termina com a famosa Lei nº 4.119, de 1962, que cria a profissão de psicólogo e apresenta as matérias obrigatórias para bacharelado e licenciatura" (p. 17). O autor enfatiza a estreita relação entre a evolução da Psicologia brasileira e os problemas da realidade nacional, e afirma que o crescimento da importância desta relação motivou o reconhecimento legal da profissão e a organização e abertura de cursos para formação destes profissionais.

Samuel Pfromm Netto é o autor de "A Psicologia no Brasil" (1981). Interessantes são os comentários sobre as obras medievais portuguesas de conteúdo psicológico e o estudo sobre a produção escolástica do período colonial no Brasil e sobre a Psicologia em obras filosóficas do séc. XIX. Os comentários sobre a Psicologia como ciência autônoma, que representa mais da metade do texto, incluem fotografias do Laboratório da Escola Normal da Praça da República, em São Paulo, de Noemi S. Rudolfer e Helena Antipoff, Roberto Mange e Emílio Mira y Lopez, e quadros sobre as teses de interesse psicológico apresentadas às Faculdades de Medicina e principais áreas de pesquisa em Psicologia (1975-1980). O autor propõe, em 1981, questão que nos parece bastante atual: "não tem ocorrido um crescimento na pesquisa equivalente à extraordinária expansão dos cursos de Psicologia nos últimos trinta anos" (p. 168).

"Radecki e a Psicologia no Brasil", texto de Rogério Centofanti (1982), "estuda a longa permanência do psicólogo polonês no país - de 1923 até 1931 ou 1932" e "se inicia com uma breve introdução sobre a Psicologia no Brasil antes de sua chegada" (p. 21). Radecki "foi convidado para dirigir o Laboratório de Psicologia na Colônia de Psicopatas, no Engenho de Dentro, Rio de Janeiro" (p. 21), onde desenvolveu sérias e numerosas pesquisas de Psicologia; em 1932, transformou o laboratório em Instituto de Psicologia que meses depois foi fechado, deixando Radecki o país para trabalhar ao mesmo tempo no Uruguai e Argentina. É importante notar que o psicólogo polonês foi o autor de uma concepção teórica da Psicologia, nomeada por ele de "discriminacionismo afetivo" e concluída entre 1928 e 1929 "durante um curso de Psicologia ministrado na Escola de Aplicação do Serviço de Saúde do Exército" (p. 187).

À Isaías Pessotti a obra também dedica dois capítulos: "Dados para uma história da Psicologia no Brasil" (1975) e "A Psicologia no Brasil" (1988). No primeiro texto, Pessotti desenha o percurso da Psicologia no país de 1836 até 1969, destacando-se as descrições sobre o serviço de assistência a psicopatas em São Paulo e no Laboratório de Psicologia do Hospital de Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. A colaboração dos educadores e engenheiros é notada pelo autor, que conclui afirmando que "os velhos pioneiros se alegrariam com a criação dos cursos de pós-graduação, a difusão de cursos de Psicologia, a decidida profissionalização do psicólogo na indústria, na clínica e na escola. (...) Os caminhos da Psicologia brasileira se multiplicaram e não é possível segui-los todos" (p. 136). O segundo texto compôs um livro organizado pelo Conselho Federal de Psicologia com o objetivo de examinar criticamente a atuação dos psicólogos brasileiros, o que, segundo Pessotti, indica amadurecimento: "a Psicologia está pronta para analisar-se e, dessa forma, encontra-se madura para retratar seu atual estágio e pesquisar as raízes de seus aspectos atuais, o curso de sua evolução" (p. 210). O autor apresenta uma divisão dos diversos períodos pelos quais passou a Psicologia brasileira, afirmando a idéia de que a Psicologia já é, irremediavelmente, uma ciência autônoma em nosso país, ao dizer que "após 25 anos de Psicologia profissional, parece conveniente que a tarefa fascinante de escrever" a história da Psicologia "seja atribuída a profissionais da área. A missão dos bacharéis em Filosofia, a meu ver, já foi cumprida" (p. 226).

Em tempos de Ato Médico e de tantas outras ameaças à independência e autonomia de profissões, países e liberdades várias, "História da Psicologia no Brasil: primeiros ensaios" nos parece leitura importante e esclarecedora sobre os caminhos de uma ciência que já demonstrou, claramente, sua importância e papel únicos para a transformação da realidade de nosso país.

Profa. dra. Carla Mirella Mastrobuono
Mestre em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (USP), doutora em Educação: Psicologia da Educação (PUC-SP), pesquisadora nas áreas de Psicologia Escolar, Social e História da Psicologia, professora universitária e coordenadora de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão das Faculdades Integradas de Ciências Humanas, Saúde e Educação de Guarulhos.

Estante

O bebê, o corpo e a linguagem
Organização de Regina Orth de Aragão. Se hoje sabemos que as palavras ditas em torno do berço são determinantes para o devir da criança, sabemos também o quanto são determinantes, pelo que revelam e antecipam, para os próprios adultos que as proferem. É forçoso reconhecer o poder do bebê de suscitar em torno de si intensos movimentos de ligação, de investimento e interesse. No entanto, para os clínicos e profissionais que trabalham com ele, é necessário constatar que o movimento oposto muitas vezes se faz presente, como se o bebê também tivesse o poder paradoxal de suscitar fortes impulsos de ruptura e desligamento. Para a psicanálise, estaria aí revelada uma manifestação destrutiva da pulsão de morte, inerente ao humano. Ao reconhecer essa particularidade da relação com o bebê, estaremos sem dúvida avançando em nosso propósito de nos debruçarmos em torno dele num movimento criativo e vital.
Editora Casa do Psicólogo, (11) 3034-3600, 260 páginas, R$ 31,00.


Psicopedagogia: um modelo fenomenológico
Roseli Bacili Laurenti. Estamos sempre prontos a atribuir as dificuldades de aprendizagem a uma incapacidade de aprender e a deixar a questão por isso mesmo. Este livro, utilizando-se da fenomenologia, faz um estudo sobre jovens que adotam atitudes negativas quanto ao processo de aprendizagem buscando compreender os caminhos percorridos por eles. Por meio das narrativas feitas pelos jovens percebemos as lutas travadas com seus familiares, professores, amigos e seus conflitos de aprendizagem, mas, por outro lado, os percebemos como jovens interessados, que observam, que obtêm êxitos, e não como jovens incapazes. É um livro baseado na prática psicopedagógica em uma instituição pública que a transcende, proporcionando aos psicopedagogos, professores, pais, psicanalistas e psicólogos uma contribuição profunda para a compreensão do porquê de um jovem se opor à aprendizagem e da real importância de envolvê-los para enfrentar e assumir os riscos desenvolvendo e ampliando suas possibilidades de compreender a si mesmo e o mundo.
Editora Vetor Editora, (11) 3283-5922, 200 páginas, R$ 30,00.

O mosaico da violência - a perversão na vida cotidiana
Coordenação de dra. Maria do Carmo Cintra de Almeida Prado. A violência em nossos dias tem chegado a números paroxísticos, permeando a vida cotidiana das mais variadas formas, algumas delas muito pouco abordadas. Com os trabalhos apresentados neste livro, temos a intenção de compartilhar nossas experiências, desenvolvidas em um hospital público ou a partir de pesquisas em centros acadêmicos e assim favorecer que certas realidades violentas e perversas sejam discutidas. Ao todo, são oito temas abordados: Quem são as companheiras de abusadores sexuais de crianças? O que pode significar receber, com a confirmação da gravidez, a confirmação da contaminação por HIV? Como compreender comportamentos autoquíricos? Que relação pode haver entre a violência familiar e a orientação homossexual? Seria o suicídio uma morte anunciada? Que esses trabalhos possam incentivar nossos leitores a aprofundar tais indagações e a desdobrar outras tantas.
Editora Vetor Editora, (11) 3283-5922, 431 páginas, R$ 55,00.

 

Adoção
Gina Khafif Levinson. A coleção "Clínica Psicanalítica", dirigida por Flávio Carvalho Ferraz, compõe-se de obras voltadas para a compreensão das mais diversas problemáticas psicopatológicas sob o prisma psicanalítico. Os textos tratam do tema proposto com rigor e concisão, integrando aos elementos teóricos freudianos as produções e preocupações da psicanálise contemporânea. Os autores são profissionais que têm se destacado na abordagem da questão sobre a qual foram convidados a escrever.
Editora Casa do Psicólogo, (11) 3034-3600, 140 páginas, R$ 14,00.

Obesidade e trabalho - histórias de preconceito e reconhecimento vividas por trabalhadores obesos
Fabíola Mansur Polito Gaspar. Esta obra pretende promover uma reflexão mais profunda acerca da situação de trabalho das pessoas obesas, destinando-se principalmente a profissionais e estudantes das áreas de saúde, administração, comunicação e, também, a todos aqueles que desejam ver transformada a realidade hoje discriminatória. Obesidade e Trabalho... revela histórias vividas por trabalhadores obesos, enfatizando como sua saúde e qualidade de vida são afetadas por atitudes preconceituosas no ambiente de trabalho. Ressalta como a mídia contribui para o estigma social, ao incentivar o culto ao "corpo perfeito". O livro mostra como as pessoas obesas buscam superar suas limitações físicas e psicológicas, a fim de conquistar reconhecimento e serem valorizadas em suas capacidades.
Editora Vetor Editora, (11) 3283-5922, 136 páginas, R$ 31,00.


Psicologia Jurídica - implicações conceituais e aplicações práticas
Maria Adelaide de Freitas Caires. O caminho de Maria Adelaide de Freitas Caires na Divisão de Neuro-cirurgia Funcional do IPq - HCFMUSP tem sido um sem fim de surpresas e satisfações. Além de trocas extremamente ricas em torno de casos examinados, seu percurso foi se constituindo de forma natural na direção da Psicologia Jurídica, com a drenagem de casos sempre muito difíceis, vindos do Sistema Judiciário, exigindo integração de conhecimentos de múltiplas áreas. Nada melhor para que Maria Adelaide, movida por uma sadia curiosidade científica e grande sensibilidade no trato, se visse impelida a disciplinar sua metodologia e organizar os conhecimentos na tese de mestrado que ora se torna este livro.
Editora Vetor Editora, (11) 3283-5922, 205 páginas, R$ 30,00.

O processo criativo - transformação e ruptura
Claudio Castelo Filho. Como surgem as obras de arte, da literatura, da música? Como aparecem as teorias científicas? O que é o processo criativo? Ao mesmo tempo em que surgem gênios criativos e inovadores, eles são percebidos como ameaças ao establishment e despertam o medo da desordem. O autor propõe uma nova concepção para a função das artes e das ciências. Faz um profundo esclarecimento da evolução do pensamento psicanalítico e suas teorias (sobretudo com Freud, Klein, Bion e desenvolvimentos originais do autor), esclarecendo a relação entre a experiência emocional e a capacidade para criar e pensar.
Editora Casa do Psicólogo, (11) 3034-3600, 25 páginas, R$ 32,00.

 

  Psicologia e arte
Giuliana Bilbao. O livro coloca o leitor em contato com uma área emergente no campo da Psicologia: a arteterapia. No intuito de compreender melhor essa prática e sua validade num contexto em que tantas práticas surgem sem respaldo científico, algumas questões nortearam o trabalho: a arte tem valor terapêutico em si mesma? O que a filosofia tem a dizer sobre a arte? Como a Psicologia vem abordando o fenômeno artístico com o passar do tempo? O que o artista tem a dizer sobre a arte? Alguns trechos foram omitidos para que a leitura não se tornasse cansativa e extenuante para o leitor. Não existe aqui a pretensão de esgotar o tema sobre a arte e a Psicologia, mas sim abrir futuros questionamentos que levem a novas pesquisas para fundamentar, cientificamente, uma prática já consolidada em outros países.
Editora Alínea, (19) 3232-9340 / 2319, 96 páginas, R$ 20,00.



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