Editorial
DEMOCRACIA
na psicologia e na sociedade
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A Conferência Nacional de Comunicação, que deverá ocorrer em dezembro próximo, é um acontecimento de grande interesse para os psicólogos. Há longo tempo o assunto tem merecido nossa atenção, seja por conta dos reflexos diretos e imediatos que a Comunicação apresenta sobre a vida das pessoas nos seus aspectos subjetivos, seja em razão dos seus componentes políticos e econômicos mais amplos que infl uem decisivamente nos rumos tomados pela sociedade.
A reportagem de capa desta edição do PSI procura evidenciar esses aspectos. Na essência, o que se encontra em jogo é o estabelecimento de regras e controles democráticos sobre a Comunicação. Se esta é um bem público, é fundamental dispor de meios para garantir que sua exploração se faça considerando os interesses de toda a sociedade e não apenas os dos grupos empresariais e/ou governos.
A participação dos psicólogos na Conferência de Comunicação está orientada pela lógica do compromisso social, a mesma que nos leva a atuar junto a outras conferências voltadas para o debate de políticas públicas. Como se sabe, mais de uma dezena delas ocorrerá até o primeiro semestre de 2010. Embora todas elas sejam de grande importância, o Sistema Conselhos de Psicologia decidiu concentrar esforços em cinco delas – Segurança Pública, Educação, Assistência Social e Saúde Ambiental, além da de Comunicação – tendo em vista a qualidade da contribuição que tem a dar para esses temas.

Se a nossa presença nas Conferências nos coloca na perspectiva de um olhar para fora, o VII
Congresso Nacional de Psicologia, previsto para junho de 2010, terá como foco a organização dos
próprios psicólogos. Trata-se de um processo que não está construído em sua totalidade e que precisa avançar de forma a alcançar o objetivo de colocar a Psicologia em linha com o compromisso social.

Esse propósito fi ca claro em seu tema central – Psicologia e Compromisso com a Promoção de
Direitos: Um Projeto Ético-Político para a Profi ssão – e também nos três eixos que irão orientar
os debates: 1) aperfeiçoamento democrático do Sistema Conselhos; 2) construção de referências e
estratégias de qualifi cação para o exercício profi ssional e 3) diálogo com a sociedade e com o Estado.

Um ponto que merece ser destacado é a questão do aperfeiçoamento democrático, que já esteve
presente no Congresso anterior e que está mantido para o próximo. Até hoje, e por conta de
acontecimentos históricos que remontam ao período da ditadura militar, a estrutura e o modo
de funcionamento do Sistema Conselhos ainda seguem as linhas defi nidas em 1971 pela Lei
5.766, que criou o Conselho Federal de Psicologia (CFP). Ainda este ano, o CFP enviou minuta
de Projeto de Lei propondo alterações naquela Lei. Nossa expectativa é de que essa mudança
se concretize e legue para o futuro uma estrutura democrática na qual os psicólogos tenham
assegurado o direito de decidir os seus caminhos.

Vale, por fi m, uma referência ao III Congresso da União Latino-Americana de Entidades de
Psicologia (Ulapsi), realizado em setembro, no México. Entidade ainda jovem, com apenas
sete anos de existência, ela tem pela frente o desafi o de fomentar uma atuação orientada pelo
compromisso social em toda a América Latina. O congresso recém-realizado mostrou que não
faltará empenho para avançar nessa direção.

CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DE SÃO PAULO | GESTÃO 2008-2010


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