Coordenadora da mesa: Maria Ermínia Ciliberti - CRP/SP
Palestrantes: Marise Rauen Vianna
Ana Paula Silva Cavalcante A inserção do psicólogo no setor de saúde suplementar3Transcrição de palestra proferida no Seminário “Psicólogos na Saúde Suplementar”, em 27/10/2005.Marise Rauen Viannapsicóloga, pesquisadora de opinião de mercado, trabalha na área de planejamento e transporte da Companhia do Metrô de São Paulo, é proprietária do Instituto Senso Coleta de Dados, responsável pela pesquisa "A Inserção dos Psicólogos nos Planos de Saúde", realizada em novembro/dezembro de 2004.A pesquisa "A Inserção dos Psicólogos nos Planos de Saúde" foi por nós realizada no final de 2004 e é possível que a realidade tenha mudado em alguma coisa durante esse tempo. Na época, eu me baseei, em parte, no site da ANS - Agência Nacional de Saúde Suplementar, acredito que ele já pode ter sido atualizado.
4Para atualizações, consultar o site da ANS: . Estou feliz de ver que tanto o CRP como o Sindicato estão caminhando em busca de soluções para a questão, para a ampliação do mercado dos psicólogos, para oferecer melhores serviços para a população na área de Saúde. É bem interessante ocorrer esta discussão, para que possamos encontrar os caminhos que nos levem na direção que procuramos. A seguir, iremos apresentar e comentar os resultados obtidos pela pesquisa.
Objetivos da pesquisa:
Conhecer a inserção do psicólogo na Saúde Suplementar. bem como as condições de trabalhos que lhe são oferecidas. Foram investigados os seguintes aspectos: a existência do atendimento psicológico nos planos, a quantidade de psicólogos credenciados, as razões da inclusão ou não do atendimento psicológico nos planos, as exigências para admissão do profissional, o conhecimento e a valorização do título de especialista, as condições de trabalho (número de sessões, duração da sessão e do tratamento, autonomia profissional).
Metodologia:Foi feita uma pesquisa quantitativa com as empresas operadoras do setor de Saúde Suplementar, por meio de entrevistas por telefone. Esta pesquisa foi precedida de um levantamento sobre o universo das empresas operadoras, para podermos compor a amostra.
Um dado importante que obtivemos em 2004 se refere à evolução das operadoras cadastradas, para dimensionar o universo que iríamos investigar. Então, o que vemos é que, nesse período de 1999 a 2004, há uma ligeira tendência de crescimento das operadoras registradas, assim como um aumento nas operadoras canceladas e uma diminuição nas operadoras ativas. Não sei se persiste essa tendência, mas notamos que é um mercado pouco estável.
Verificamos também qual a classificação das operadoras pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, porque pretendíamos que, na nossa amostra, estivessem representadas todas as categorias de empresas que atuam no setor. Segundo a ANS, em 2004, as empresas eram divididas em oito grupos: medicina de grupo; cooperativa médica; autogestão - que pode ser patrocinada ou não patrocinada; instituição filantrópica; seguradora especializada em saúde; administradora de planos de saúde; cooperativa odontológica e odontologia de grupo. Para compor a amostra, excluímos as duas categorias de empresas que atuam exclusivamente na área odontológica, pois não tinham sentido para nós Encontramos 2.202 empresas cadastradas ativas no país, sendo que 516 com sede em São Paulo. Foram sorteadas 120.
Análise dos resultados:a) Inserção do Psicólogo nos Planos de Saúde
Título de especialista:42% desconhecem.
95% acham importante (dá credibilidade, ajuda a conhecer o profissional, já é exigido do médico).
90% exigem de outros profissionais.
Quanto ao número de sessões semanais (vide tabela abaixo), 13% dizem que não determinam o limite de sessões; 13% alegam que depende do relatório do médico que fez o encaminhamento; e as demais limitam as sessões a uma, duas, até três sessões. Aqui já aparece a importância que os planos de saúde dão para o encaminhamento médico. Em muitos casos, é o relatório médico que vai definir, junto ao plano de saúde, a quantas sessões o psicólogo vai ter direito para atender ao paciente.
Perguntamos também se eram oferecidas as mesmas condições de trabalho que para outros profissionais: 90% declaram oferecer as mesmas condições, apesar de que apenas 80% declaram a mesma remuneração. Em relação ao valor por sessão, obtivemos os valores apresentados na tabela. A remuneração do psicólogo é bastante baixa: 25% ia de R$ 10,00 (dez reais) a R$ 20,00 (vinte reais) na época; 30%, de R$ 21,00 (vinte e um reais) a R$ 30,00 (trinta reais); e 4%, de R$ 31,00 (trinta e um reais) a R$ 40,00 (quarenta reais). Então nós vemos que a remuneração é, baixa, muitas vezes, inferior à remuneração do médico e, quase sempre, inferior à remuneração da tabela de referência de honorários que o Conselho Federal de Psicologia divulga no seu site. Nós perguntamos se era diferente a remuneração dos psicólogos com relação a outros profissionais e somente 21% responderam que sim, os outros disseram que não.
Quanto à autonomia do psicólogo, no seu trabalho, perguntamos se o plano exigia encaminhamento médico e 75% responderam que sim.
Concluindo, podemos dizer que a inserção do psicólogo no setor é pequena. Apenas 30% dos planos contam com algum psicólogo. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é uma interlocutora fundamental, já que muitos planos alegam que não oferecem esse serviço porque a Agência Nacional de Saúde Suplementar não exige. Por outro lado, vemos também que o psicólogo não faz parte da concepção de saúde das operadoras e a própria ANS, pela regulamentação, não inclui o psicólogo como um profissional necessário para o atendimento na saúde. A maioria das operadoras desconhece o titulo de especialista, e a remuneração que é dada por esse serviço é menor que a do médico e, também, inferior à indicada pela tabela do Conselho Federal de Psicologia. A exigência de inscrição no CRP é mencionada por menos de 50% dos entrevistados.
As recomendações que nós fizemos já estão um pouco desatualizadas, pelo fato de terem sido feitas em 2004. Recomendávamos que fossem dadas mais informações para as operadoras sobre o título da especialista e também sobre a tabela de honorários do Conselho Federal de Psicologia; que fosse realizada uma pesquisa qualitativa com as operadoras para identificar as oportunidades e as dificuldades que se apresentam, a fim de poder ampliar o mercado de trabalho e ainda o atendimento do beneficiário. Uma pesquisa qualitativa, com os psicólogos que trabalham nos planos de saúde, poderia averiguar quais são as expectativas e os limites que eles apontam e quais as formas para superar estes limites. Com base nisso, seria possível formatar uma proposta viável que pudesse ser discutida com a Agência Nacional de Saúde Suplementar e com as operadoras do setor.

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